O som da bateria, os ensaios, a ansiedade antes da apresentação e a emoção de subir ao palco pela primeira vez diante de uma orquestra. Foi a partir dessas experiências que nasceu o terceiro episódio do projeto Cultura em Série, exibido nesta quinta-feira (14), no auditório do Conselho Estadual de Cultura do Piauí, em Teresina.
Desta vez, o documentário mergulhou no universo da música a partir da vivência de estudantes do CETI Moacir Madeira Campos, em Teresina, que participaram de uma experiência artística ao lado da Orquestra Jovem de União.
Mais do que registrar apresentações, o projeto revela os bastidores, os desafios e, principalmente, as conquistas de estudantes que encontraram na arte uma nova forma de aprender, se expressar e construir pertencimento dentro da escola.
O Cultura em Série é uma produção audiovisual realizada em parceria entre a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e o Conselho Estadual de Cultura do Piauí. A proposta transforma escolas públicas em espaços de criação artística, utilizando a arte como metodologia de ensino dentro das escolas de Tempo Integral.
A coordenadora do projeto, a cineasta Talita Dupret, explica que a iniciativa vai além das aulas tradicionais de arte. “O Cultura em Série busca valorizar a arte dentro das escolas como metodologia de ensino. A gente insere um artista na escola e cria um desafio junto com os estudantes. Eles passam por um processo de construção coletiva e depois transformam a escola em palco para apresentar aquilo que criaram. No episódio de hoje, a música foi essa ponte”, destacou.
No CETI Moacir Madeira Campos, quatro estudantes Levi de Araújo, Felipe Elionai, Isac Lopes e Levi Ernandes do Vale, que já possuíam uma banda gospel dentro da escola participaram da experiência ao lado do maestro Rocha Souza e da Orquestra Jovem de União. O desafio era novo: tocar ao lado de uma orquestra, aprender outras linguagens musicais e viver uma experiência coletiva através da música.
“O maestro fez os estudantes experimentarem algo que eles nunca tinham vivido. Eles aprenderam músicas da orquestra e também ensinaram uma música gospel para os músicos. Foi uma troca muito bonita”, contou Talita.
Para o maestro Rocha Souza, o projeto mostrou como a arte aproxima diferentes vivências e linguagens. “Os estudantes já tinham experiência com música dentro da igreja, então foi uma troca muito rica. Não existia um roteiro fechado. Tudo aconteceu de forma muito natural. A música acabou conectando todo mundo”, afirmou.
Entre os protagonistas do documentário está o estudante Levi de Araújo Sousa, da 3ª série do Ensino Médio. Baterista na igreja, ele conta que inicialmente ficou inseguro com a proposta de tocar junto a uma orquestra, mas a experiência acabou se tornando transformadora. “No começo eu fiquei com o pé atrás, porque nunca tinha participado de algo assim. Mas quando o projeto chegou, a gente viu que dava certo. Foi uma experiência muito boa. Acho que o maior aprendizado foi a união, porque numa orquestra ninguém é mais importante que ninguém. Se não existir união, não funciona”, relatou.
O secretário de Estado da Educação, Rodrigo Torres, destacou que iniciativas como o Cultura em Série fortalecem a formação integral dos estudantes e ampliam as possibilidades de aprendizagem dentro das escolas de Tempo Integral. “A cultura dentro da escola é uma ferramenta poderosa de transformação. Quando o estudante participa da música, do teatro, da dança ou de qualquer expressão artística, ele também desenvolve criatividade, sensibilidade, trabalho em equipe e autoestima. O Cultura em Série mostra exatamente isso: a escola pública como espaço de oportunidades, talento e protagonismo juvenil”, afirmou o secretário.
O presidente do Conselho Estadual de Cultura, Nelson Nery,
destacou que o projeto também nasce da necessidade de aproximar os jovens da
produção cultural. “A gente fala muito sobre formação de plateia cultural. Não
adianta produzir cultura se as pessoas não têm acesso ou não se reconhecem
nela. O Cultura em Série mostra justamente como a arte pode ser inserida dentro
da escola pública e como isso transforma a relação dos estudantes com a
cultura”, pontuou.