A programação da Semana de Enfrentamento ao Racismo da Secretaria de Estado da Educação do Piauí (Seduc-PI) iniciou nesta quarta-feira (13), com a realização da Feira Preta, no Centro Administrativo em Teresina. A atividade reuniu artesanato, cultura, empreendedorismo negro e ações voltadas à promoção da equidade racial e ao fortalecimento de políticas públicas educacionais antirracistas.
Organizada pelo Instituto Ayabás, a Feira Preta reúne mulheres negras empreendedoras que transformam arte, cultura e ancestralidade em resistência e ocupação de espaços. Durante a abertura, o público pôde conhecer e adquirir produtos produzidos por artesãs piauienses, fortalecendo o empreendedorismo negro e ampliando a visibilidade da cultura afro-brasileira.
Para Lenny Maria, da marca Balaio de Axé, participar da feira, com a venda de T-shirts, representa resistência e representatividade. “Para a gente combater o racismo, precisamos todos os dias sermos vistos, estar presentes e ocupando espaços, para que a sociedade nos veja de forma igualitária e justa. Produzir camisetas e levar essa mensagem para diferentes públicos também é uma forma de promover letramento racial e transformar a sociedade”, destacou.
A artesã Adriana Borges, conhecida como Drica, do Ateliê Drika Maria, ressaltou a importância da valorização da cultura negra através do artesanato. “Eu trabalho com bonecas negras justamente pela representatividade. Participar da Feira Preta é resistência. É mostrar para a sociedade que o povo preto tem cultura, tem história, tem força e pertence a todos os espaços. Nosso artesanato carrega identidade, ancestralidade e também combate o racismo”, afirmou.
O secretário de Estado da Educação, Rodrigo Torres, destacou que a educação tem papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. “A escola é um espaço de transformação social e a educação antirracista precisa fazer parte desse processo diariamente. Trabalhar o respeito, a valorização da identidade negra e o enfrentamento ao racismo dentro das escolas é garantir uma formação mais humana, consciente e inclusiva para nossos estudantes”, pontuou.
A gerente de Inclusão e Diversidade da Seduc, Maria do Carmo Fernandes, reforçou o compromisso permanente da rede estadual com as políticas de equidade racial. “Essa semana simboliza um trabalho que acontece durante todo o ano nas escolas da rede estadual. Nosso compromisso é fortalecer cada vez mais essas ações envolvendo estudantes, professores e toda a comunidade escolar”, explicou.
Programação reforça educação antirracista
O evento marca os três anos de implementação da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ) no Piauí, consolidando o compromisso da educação pública estadual com uma formação inclusiva e antirracista.
A programação segue nos dias 14 e 21 de maio com atividades no Centro de Formação de Professores, no Centro Cultural de Línguas Padre Raimundo José (CCL) e em escolas da rede estadual.
Durante a Semana de Enfrentamento ao Racismo, a Seduc também fará o lançamento do edital do Selo Esperança Garcia de Escola Antirracista, iniciativa que vai reconhecer unidades escolares comprometidas com práticas pedagógicas de combate ao racismo e promoção da igualdade racial. Também serão entregues títulos de professores embaixadores antirracistas e certificações para grêmios estudantis antirracistas.
Outro destaque será a apresentação dos resultados da Olimpíada Brasileira de Relações Étnico-Raciais, Afro-Brasileiras, Africanas e Indígenas (OBERERI), competição em que o Piauí vem se destacando nacionalmente. Em 2026, o estado alcançou 541 escolas inscritas, o maior número do país.
Como parte da mobilização, escolas da rede estadual realizam nesta quarta (13) e quinta-feira (14) o Dia D “13 de maio não é dia de negro, é dia de luta contra o racismo”. As atividades incluem palestras, rodas de conversa, oficinas, feiras culturais, debates sobre cotas raciais, identidade negra, religiosidade, cultura afro-brasileira e combate ao racismo religioso.
A Seduc também fortalece essas ações por meio do projeto “Educar para Respeitar”, que desenvolve práticas pedagógicas voltadas à valorização da diversidade, dos direitos humanos e da cultura afro-brasileira dentro das escolas da rede pública estadual.