As práticas de ensino de Língua Portuguesa criadas pelos professores da rede pública para a Olimpíada Científica de Língua Portuguesa do Piauí “Dizeres e Saberes do Nosso Povo” (OCLIPI) agora estão em um livro. A publicação “A pesquisa no ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa: experiências de professore(a)s”, reúne diversas experiências de pesquisa realizadas nas escolas estaduais.
Organizada pela professora doutora Shirlei Marly Alves, coordenadora de Língua Portuguesa do Programa Gestão da Aprendizagem da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), a publicação conta com a parceria dos pesquisadores Luana Ferreira dos Santos e Ramon Crístian de Sousa Rios. A coletânea apresenta reflexões e metodologias aplicadas em escolas de 40 municípios piauienses, com foco no uso da pesquisa como ferramenta de ensino.
“O livro nasce das experiências vividas por professores que participaram da OCLIPI. Submetemos o projeto à Chamada CNPq/MCTI 03/2023, fomos aprovados e conseguimos financiamento para transformar esses relatos em publicação”, explica Shirlei Marly Alves.
Formação e pesquisa na sala de aula
A iniciativa envolveu um processo formativo de um ano, com curso de extensão oferecido pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Mais de 200 educadores se inscreveram e dez deles aceitaram o desafio de transformar suas práticas em capítulos da obra. Durante a formação, os professores mergulharam em metodologia científica e desenvolveram projetos em parceria com os alunos, unindo teoria e realidade escolar.
Para a organizadora, registrar essas vivências amplia o alcance das ações pedagógicas e pode inspirar outras redes de ensino. “A OCLIPI é pioneira porque articula formação de professores para a pesquisa no componente de Língua Portuguesa, produção de material didático e mentorias. Mostra que a sala de aula pode ser um espaço de produção de ciência desde a educação básica”, destaca.
A Olimpíada Científica de Língua Portuguesa do Piauí é realizada pela Seduc, por meio do programa Seduc Olímpica, com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O objetivo é promover o letramento científico de professores e estudantes, valorizando as culturas locais e fortalecendo o ensino público.
Realizada em 2024, a olimpíada premiou a produção científica de 43 equipes, cada uma composta por um professor orientador de Língua Portuguesa e quatro estudantes, de escolas das redes estadual e municipal, nas turmas do 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e na 1ª e 2ª séries do Ensino Médio.
Para o secretário de Estado da Educação, Rodrigo Torres, a iniciativa reforça o compromisso da pasta com uma política educacional que ultrapassa os muros da sala de aula tradicional.
"A Seduc Olímpica vai além da participação em competições. Ela cria um ambiente que estimula pesquisa, pensamento crítico e protagonismo estudantil. Projetos como a Olimpíada Científica de Língua Portuguesa mostram que a escola pública pode ser também um espaço de produção científica, com professores e estudantes investigando temas ligados à nossa realidade", afirma.