Ações da Seduc colaboram para criar clima de paz nas escolas

05/02/2020     Michele Furtado




Agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um colega: essa é a definição do bullying. Além de um possível isolamento ou queda do rendimento escolar, crianças e adolescentes que passam por humilhações preconceituosas podem apresentar doenças psicossomáticas. Agindo de maneira preventiva, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) criou a Comissão Estadual de Enfrentamento às Situações de Violência Escolar a fim de minimizar situações relacionados ao bullying e à violência, dentre outros aspectos relacionados ao emocional do estudante.


Mas como discutir a relação em uma instituição tão complexa e cheia de atores?  Em 2018 a Seduc desenvolveu, em parceria com a plataforma do MobiEduca.me um instrumento para avaliar como estão as questões de convivência. Mais de 57 mil alunos, em 338 escolas em todo o Piauí participaram da maior avaliação de diagnóstico em larga escala para prevenção de bullying e violência dentro das escolas. A avaliação permitiu que os gestores da Seduc e das escolas tenham dados quantitativos e qualitativos que ajudaram a planejar e executar ações práticas, educativas e políticas públicas, visando a melhoria do clima escolar na rede estadual.

Ainda em 2018, a Seduc iniciou um trabalho de formação com as equipes multiprofissionais da Gerências Regionais de Educação. As provocações começaram a surgir como um ponto a ser trabalhado. Para lidar com o problema, a Seduc mobilizou as equipes para encontrar maneiras de reduzir a quantidade de intimidações. "O foco deve ser a melhoria das relações em busca de uma aprendizagem efetiva", diz a diretora da Unidade de Gestão e Inspeção Escolar (UGIE) da Seduc, Ana Rejane Barros.


As ações têm dado resultado. A gestora diz sentir diferença no número de ocorrências de agressões e também na postura dos alunos. "Tínhamos várias escolas problemáticas. Avaliamos nossas ações como um sinal de que o trabalho está surtindo efeito", diz Ana.

Desenvolvido por meio da Unidade de Gestão e Inspeção Escolar (UGIE) da Seduc, com apoio técnico do programa de Pós Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Piauí (UFPI), por meio do Núcleo PSIQUED, as ações da Comissão Estadual de Enfrentamento às Situações de Violência Escolar, visam identificar a vulnerabilidade de cada unidade escolar. Ao garantir a qualidade do clima escolar, a Seduc espera elevar os índices de aprendizagem dos alunos.


O secretário de Estado da Educação, Ellen Gera, falou da importância de uma cultura de paz nas escolas. Quase 500 comitês compostos por professores, alunos, técnicos das Gerências Regionais de Educação (GREs) e rede protetiva de cada município foram formados na intenção de intermediar e resolver conflitos escolares.

"A Seduc tem no seu planejamento estratégico, desde 2017, um pilar de clima escolar, justamente para nós promovermos cada vez mais uma escola acolhedora e inclusiva que proporcione aos nossos estudantes uma expectativa de aprendizagem, mas também uma formação cidadã. Nós falamos de cidadania, respeito, direitos humanos. Queremos escolas livres de violência, bullying, preconceitos", explica Ellen Gera.


Outras ações

Junto às ações da Comissão Estadual de Enfrentamento às Situações de Violência Escolar está o "Educação Pela Vida", que desenvolve várias atividades, dentre elas a peça "Quem me roubou de mim?".

Apresentado aos estudantes da rede, o monólogo chama atenção, de acordo com o próprio autor e intérprete, Valdsom Braga, para a libertação dos cárceres que aprisionam e impedem as pessoas de serem os autores das próprias histórias. Na peça, o personagem escuta vozes de quatro pessoas que são representadas por máscaras. São essas vozes que causam traumas e crises depressivas no personagem, que passa por um processo de metamorfose até se libertar do estado depressivo.


Nas escolas, além da apresentação, o artista Valdsom Braga realiza um workshop de jogos teatrais que tem como objetivo possibilitar uma reflexão sobre o estado emocional. "Nesse processo descobrimos que precisamos cuidar do outro. Fico feliz em ver a resposta do público com o espetáculo e tenho certeza que muitas coisas boas virão nos próximos dias em contato direto com o aluno", diz o ator.

A diretora da UGIE, Ana Rejane, afirma que para 2020 várias ações serão implementadas, como; Implantação dos Comitês de Mediação de Conflitos em todas as escolas; Continuidade no processo formativo e Composição das equipes multiprofissionais nas GRES.

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